Mulheres pagam mais caro que homens pelos mesmos produtos, mostra pesquisa

By | 15 Março, 2017

Pesquisa realizada pelo MPCC (Mestrado Profissional em Comportamento do consumidor) da Escola Superior de Publicidade e Marketing (ESPM), constatou que as mulher pagam, em média, 12,3% mais caro por produtos femininos.

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O objetivo da pesquisa brasileira Taxa Rosa e a Construção do Gênero Feminino no Consumo foi identificar se, de fato, a mulher paga mais caro que o homem, pelo mesmo produto, quando ele é voltado ao público feminino. O levantamento foi feito com apoio da InSearch.

Os resultados mostram que as mulheres pagam 17% mais caro em vestuário adulto, 23% em roupas para bebês ou infantil, 4% a mais em produtos de higiene, 26% em brinquedos – segmento “campeão” de desigualdade nos preços foi o corte de cabelo, que custa, em média, 27% mais caro para o público feminino.

As diferenças, porém, podem ser ainda maiores quando são observados produtos específicos. Um tênis branco de couro, cano alto, custa 24% mais caro no modelo feminino, em valor pesquisado entre outubro de 2016 e janeiro de 2017. Já uma calça jeans, modelo básico, da mesma marca, apresentou preço 23% maior na peça feminina.

Quando levantados os preços de produtos da categoria de saúde e beleza, um kit de lâmina de barbear, por exemplo, possui um valor 100% maior na versão da cor rosa. O shampoo anticaspa, da mesma marca, na versão masculina apresentou um preço 9,8% menor na embalagem azul. Nas roupas de bebê, um macacão para menina custa 5% mais caro, mesmo tendo a mesma quantidade de detalhes e acabamentos do modelo masculino. A barraca para meninas sai 30% mais cara e, um prato térmico para bebê, apenas por ser rosa, 7,7% mais caro.

Além da verificação dos preços, a pesquisa também realizou uma série de perguntas para um grupo de 480 mulheres, entre 20 e 55 anos, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador, das classes A, B e C, com o objetivo de compreender como a mulher percebe seu comportamento de consumo.

Dentre as respondentes, 96% concordam que as mulheres consumem mais produtos do que os homens; 87% acreditam que ter filho do gênero feminino custa mais caro do que ter filhos do gênero masculino; 93% dizer ser raro uma mulher ir ao shopping e não comprar nenhum produto (com menor concordância na classe C); 91% afirmam que as mulheres não resistem a uma boa vitrine sem comprar alguma coisa; 75% das respondentes concordam que toda mulher é consumista (maioria da classe A e minoria da classe C).

Todas as questões foram respondidas antes das mulheres conhecerem os resultados dos levantamentos de preço realizado para comprar os valores cobrados para os produtos “rosa”.

A ideia de realizar a pesquisa no Brasil nasceu no final de 2015, quando o The New YorK City Department of Consumer Affairs (DCA), órgão de proteção ao consumidor de Nova York, nos Estados Unidos, divulgou a pesquisa Pink Tax, na qual comprovou que as mulheres pagam mais por diversos itens de consumo caracterizado ou voltado para o gênero feminino. “A maior surpresa para o DCA é que a maioria das mulheres de Nova York não havia percebido essa diferença de preço”, afirmou o professor do MPCC-ESPM e pesquisador Fábio Mariano Borges.

Segundo Borges, que trabalha em parceria com pesquisadores da Espanha, Itália e Portugal, os órgãos de defesa do consumidor, os gestores e os consumidores também não tinham se dado conta da diferença entre os valores cobrados. “Vale lembrar que, normalmente, nas lojas de departamento o gestor que cuida da seção de produtos femininos não é a mesma pessoa que cuida da seção de produtos masculinos. Este é um fenômeno da departamentalização que ocorre dentro de muitas empresas”, ressaltou.

Confira outros resultados da pesquisa:

  • 83% das entrevistadas responderam que as mulheres consomem mais que os homens;
  • 87% acreditam que as mulheres sabem comprar melhor que os homens (minoria da classe C);
  • 58% concordam que homens são melhores para comprar artigos de tecnologia (maioria classe A e minoria classe C);
  • 91% pedem a ajuda de um homem quando vão comprar um produto de alto valor, como um imóvel;
  • 72% concordam que homens entendem mais de carro, por isso é sempre recomendável consultá-los na hora da compra;
  • 97% concordam que nunca tiveram apoio de um homem para comprar um anticoncepcional e 74% acredita que o consumo do anticoncepcional é uma responsabilidade da mulher;
  • Por fim, 92% concordam que mulheres administram melhor o dinheiro que os homens.

Fonte: https://www.ecommercebrasil.com.br

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